O sofá era um ninho, quente, de cobertores. A chuva pingava lá fora, manchando a janelas com as gotas frias, o barulho contrastando com o fogo que ardia na lareira. Por mais que as palavras recém lidas ressoassem em sua mente, sem encontrar um sentido real, o silêncio prevalecia, incômodo, em tudo no que pusesse o olho. O silêncio que constantemente gritava-lhe, pedindo socorro, pedindo para poder sair dali, para que alguém viesse e o tirasse dessa situação solitária. Agora que pensara no assunto, não tinha tanta certeza de que era mesmo o silêncio que queria isso. Ao sentir um calafrio, deu-se conta do quão carente era (bem mais do que geralmente se considerava). Do quanto ansiava por um abraço, naquele momento. Por ter alguém para compartilhar aquele frio todo, embaixo daquele cobertor, conversando sobre qualquer coisa, mas conversando. Conhecendo-se através de simples e sinceras brincadeiras, de sorrisos, de risadas, de lágrimas. Não somente através de seu próprio olhar, sobre si. Isso é solitário demais. É o mesmo que ter objetivos e fazer tudo para alcançá-los, porém, quando chega-se lá é que se percebe que não tem com quem comemorar. Nesse momento é que sentia o peso da distância, o peso da solidão, o vazio que era (que é), e que falsamente preenchia. O tempo apenas passava, sem nenhuma memória para se guardar. Apenas um S.O.S., tímido, quase se escondendo no virar das páginas.
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
domingo, 17 de julho de 2011
Um momento.
Uma tarde de sexta-feira, o sol ardendo na vastidão do céu azul. A brisa mexendo nas árvores, com suas folhas ainda bem verdes, apesar do inverno. Um inverno doce, onde a menina aproveitava a perfeição do dia sentada em seu balanço, parado, com um livro nas mãos. Uma história repleta de palavras recheadas de aventura, ocupando sua mente e seu espírito, afastando-a momentaneamente da solidão. Ela encontrava nos livros o que a vida não tivera tempo de dar, e o que a distância a impedia de conquistar. Seus pensamentos voavam longe com o vento, imaginando realidades ardilosas, totalmente diferentes da dela. Uma realidade muito desconhecida, sem dores, mas sem completa alegria. A natureza era sua companhia, junto dos personagens incríveis e de seus contos épicos. Dizer que isso era o que ela possuía de melhor é estranho, pois, na verdade, ela sentia que nada possuía. Sentia-se só, perdida, pertencente a algo já esquecido, hoje ignorado pelas pessoas com pressa. Sentia-se inútil, num lugar que tinha tudo de bom a oferecer, mas ninguém para receber. Faltava-lhe muitas coisas. Carinho, afeto, compreensão, conflito e paz. Faltava-lhe voz, a necessidade de falar, e alguém para ouvir. Faltava o que fazer, faltava sentido em tudo ali. Relutante, fechando mais um círculo infinito de pensamentos, e na falta de opções, levou a concentração ao livro, às páginas, ao vendo despenteando o cabelo, e ao silêncio de seu âmago.
terça-feira, 12 de julho de 2011
Não tenha medo de sonhar. Não tenha medo de acreditar. Não tenha medo de amar. Não tenha medo de ser quem você é. Não se arrependa das suas escolhas, muito menos de viver a vida da forma que resolveu. Peça desculpas pelas suas palavras mal escolhidas, não pelas mudanças que desejou fazer. Não deixe que pensamentos e opiniões alheias te atinjam, pois elas são alheias a tudo o que você é e que elas não sabem. Não tenha medo do impossível, mas não leve a sério a possibilidade de todas as coisas. Certas coisas serão como são, e não da forma que você quer. Compreensão é fundamental. Não falte com paciência para aqueles que não te aceitam, pois a diferença atinge a muitos e de muitas formas. Simplesmente seja, sorria, e siga em frente. Abrace aqueles que você não tem medo de gritar que ama, principalmente os que não têm vergonha de retribuir. Se não basta para você, basta para mim.
segunda-feira, 20 de junho de 2011
Se algum dia eu fizer algo que você não goste, amigo, que você ache estranho por estar sendo contigo, não se desanime. Se te machuquei, nunca tive a intenção, aceite minhas desculpas e sorria novamente comigo.
Desculpe por essas manias ruins, por todos os cortes bem intencionados, por todas as palavras grossas, por todas as palavras sinceras, por todas as maldades e por todas as verdades.
Se eu não fizer tudo o que tenho direito com você (e parte do que não tenho também), não faço com ninguém mais. Os outros não merecem nada, então a eles eu nada reservo. Sobra para você, amigo, que aguente tudo, todo o perigo.
Junto de mim.
quarta-feira, 8 de junho de 2011
Coisas que quero, coisas que gostaria, coisas que desejaria. Coisas que são, ou deixam de ser.
Mudar tantas coisas. Mudar-me. Tirar essa mudança de humor que por mim corre, que tantas coisas estraga, que se estraga com tão poucas coisas.
Problemas. Isso que me move. Tenho tantas confusões, tantas desilusões, tantos desentendimentos. Gostaria de descobrir uma forma de poder resolvê-los, sem ter um pai que venha levantando a voz porque você não aceita, porque você não quer, porque não te entende, mesmo sem admitir. Queria ter um mundo só meu, para onde eu pudesse fugir sem que ninguém percebesse, sem que ninguém soubesse como chegar para poder chorar minhas mágoas em paz. Onde elas fossem levadas pelo vento, para depois se dissipar e nunca mais voltar. Onde a alegria pudesse reinar sem a interferência de meu humor. Para poder me afastar de tantas coisas que conseguem me fazer chorar só por estarem acontecendo. E me mandar parar não funciona.
Me afastar. Tão tentador. E tão impossível.
Quem me dera fosse culpa da minha teimosia. Mas é apenas ausência. É aquela sensação de se sentir uma formiga, pequena, perdida e sozinha no meio da multidão, sendo pisada, sem querer, por qualquer um. Nem a formiga entende. Quanto mais os que a cercam. Insignificante.
Queria alguém por perto, um ombro para o qual eu pudesse fugir e só soltar no dia seguinte, depois que os raios de um mesmo sol trouxessem um dia completamente novo, uma nova esperança. Já que as soluções me parecem inviáveis no momento. E da minha maneira de ver, é como se elas não existissem.
Não é que tudo seja tão assim. É só que estou sensível demais comigo mesma, e muitas coisas se aumentam enquanto outras diminuem. Minha tendência a se fechar e só desabafar com uma caneta e papel é bem grande nessa hora. A de achar que ninguém se importa. A de só olhar o lado ruim das coisas.
Não é que eu ache isso certo. É só que queria algo diferente, que me fizesse mais feliz.
Não é que a felicidade não exista para mim. É só que eu tenho que encontrá-la quase sempre por mim e meu reflexo, e me contentar ali. E às vezes, ela não está perto, não é fácil de se acessar.
Não é que aqui não tenha coisas boas. É só que poderia ser muito melhor.
Me deixe sonhar. Ou venha e torne isso real, de alguma forma.
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